NOVA ERA DO TURISMO

A Nova Era do Turismo: As tendências que moldam as viagens globais. O setor turístico global demonstrou, mais uma vez, uma de suas qualidades mais notáveis: a resiliência. Após superar uma série de desafios sem precedentes, desde pandemias e incertezas econômicas até instabilidade geopolítica e perturbações climáticas, o setor de viagens continuou a se recuperar em um ritmo impressionante. Mas, embora o número de visitantes esteja aumentando e a confiança permaneça alta, o cenário turístico está entrando em uma nova fase, na qual o sucesso dependerá menos do crescimento em si e mais da capacidade de adaptação. O mais recente relatório da OCDE sobre Tendências e Políticas do Turismo retrata um setor que está simultaneamente prosperando e se transformando. O turismo retornou a níveis recordes em muitos destinos, reafirmando sua importância como um dos principais contribuintes para o emprego, o investimento e as economias nacionais. No entanto, governos e líderes do setor turístico estão cada vez mais focados em garantir que esse crescimento seja sustentável, resiliente e capaz de resistir a choques futuros.

MUNDO INCERTO

O maior desafio que o turismo enfrenta hoje é a incerteza. As pressões econômicas E NOSSO DESGOVERNO continuam a influenciar os gastos das famílias, enquanto as tensões geopolíticas causaram interrupções nas viagens aéreas, alteraram os fluxos de visitantes e aumentaram os custos de transporte. O conflito em evolução no Oriente Médio destacou o quão interconectada a indústria global do turismo se tornou, com companhias aéreas, destinos e viajantes sentindo os efeitos da instabilidade regional. Em vez de desacelerar completamente a recuperação do turismo, esses eventos estão incentivando os destinos a se tornarem mais flexíveis e a diversificarem tanto seus mercados de visitantes quanto suas redes de transporte. Segundo a OCDE, a instabilidade geopolítica figura agora entre as maiores preocupações dos decisores políticos do setor do turismo, juntamente com as persistentes pressões inflacionárias, a conectividade dos transportes e o crescimento económico mais lento nos principais mercados emissores. Apesar destes riscos, a confiança nas perspectivas de longo prazo do setor mantém-se positiva.

DESTAQUES PARA A SUSTENTABILIDADE

Talvez a mudança mais significativa seja o crescente reconhecimento de que o sucesso do turismo não pode mais ser medido simplesmente pelo número de chegadas. Os destinos turísticos estão cada vez mais olhando além do volume para se concentrarem no valor — incentivando os visitantes a ficarem mais tempo, gastarem mais no comércio local e viajarem durante todo o ano, em vez de concentrar a demanda nas altas temporadas, detalhe que dobra ou triplica dos custos de cada viajante devido a exploração do turista e não do turismo. Essa abordagem ajuda a distribuir os benefícios econômicos de forma mais equitativa, ao mesmo tempo que reduz a pressão sobre as atrações populares e as comunidades locais. Os governos responsáveis também estão dando maior ênfase à proteção das paisagens naturais, à redução das emissões de carbono e ao fortalecimento da resiliência às mudanças climáticas. Eventos climáticos extremos estão se tornando um grande desafio operacional para as empresas de turismo, o que impulsiona investimentos em adaptação climática, infraestrutura aprimorada e planejamento de destinos mais robusto.

TECNOLOGIA & EXPERIÊNCIA DO VIAJANTE

A transformação digital continua a remodelar todas as etapas da jornada de viagem. Todavia, na gigantesca maioria dos destinos paradisíacos ou não, aqui no Brasil, sequer tem telefonia/internet movél ou de qualidade. É uma desgraça total. A inteligência artificial, a análise avançada de dados e as ferramentas inteligentes de gestão de destinos permitem que as organizações de turismo compreendam melhor o comportamento dos visitantes, melhorem a gestão de multidões e ofereçam experiências mais personalizadas. A IA está ajudando cada vez mais os destinos a prever a procura, gerir recursos e fornecer informações em tempo real aos visitantes, tornando as viagens mais tranquilas e melhorando a eficiência operacional. Para os viajantes, a tecnologia está se tornando quase invisível — possibilitando experiências de reserva perfeitas, processamento digital de fronteiras, recomendações personalizadas e atendimento ao cliente aprimorado, sem substituir o elemento humano que permanece no centro de viagens memoráveis.

COMUNIDADES & PRIORIDADES

Um dos temas mais fortes que emergem do relatório da OCDE é o foco crescente em garantir que o turismo beneficie as populações locais. Em vez de concentrar o investimento apenas em destinos turísticos consolidados, PAÍSES INTELIGENTES estão incentivando os visitantes a explorar regiões menos conhecidas, comunidades rurais e destinos emergentes. Isso não só ajuda a aliviar a pressão sobre as atrações superlotadas, como também cria novas oportunidades econômicas para pequenas empresas e empreendedores locais. A ênfase está mudando para um turismo que melhore a qualidade de vida dos residentes, preservando o patrimônio cultural, protegendo a identidade local e garantindo que as comunidades permaneçam participantes ativos no desenvolvimento do destino, em vez de observadoras passivas. De fato, os últimos anos reforçaram a importância do preparo. Seja para responder a emergências de saúde pública, condições climáticas extremas, perturbações geopolíticas ou recessões econômicas, os destinos turísticos estão investindo em sistemas de gestão de crises mais robustos e estratégias de turismo mais resilientes. Os governos estão dando maior importância à tomada de decisões baseada em dados, à cooperação transfronteiriça e ao planejamento de longo prazo, o que permite que os destinos se recuperem mais rapidamente de eventos inesperados. A capacidade de adaptação do setor tornou-se uma de suas maiores vantagens competitivas.

DE OLHO NO FUTURO

A avaliação mais recente da OCDE sugere que o futuro do turismo será definido não apenas pela atração de mais visitantes, mas sim pela atração dos visitantes certos, da maneira certa. Cada vez mais, os destinos de maior sucesso no mundo serão aqueles que priorizam a qualidade em detrimento da quantidade, equilibrando o crescimento econômico com a gestão ambiental, a preservação cultural e o bem-estar da comunidade. O investimento em tecnologia inteligente, infraestrutura sustentável e experiências turísticas diversificadas está se tornando tão importante quanto as campanhas de marketing tradicionais, criando destinos mais resilientes à incerteza econômica e às mudanças nas expectativas dos viajantes. Sem dúvidas, o que torna um destino particularmente significativo é o fato de estar construindo uma indústria turística para o futuro, em vez de simplesmente expandir uma do passado. Ao abraçar a sustentabilidade, incentivar viagens durante todo o ano por meio de um portfólio diversificado de experiências costeiras, desérticas, serranas, vinícolas, gastronômicas, culturais e de aventura, e colocar o patrimônio e a identidade local no centro de sua oferta turística. À medida que os viajantes globais buscam cada vez mais experiências autênticas, significativas e responsáveis, a rápida evolução demonstra como investimentos ambiciosos, planejamento cuidadoso e desenvolvimento focado na comunidade podem redefinir o lugar de um destino no mapa do turismo mundial.

COMPANHIAS AÉREAS

A propósito, o analista de aviação John Strickland alertou que as companhias aéreas europeias e americanas podem reduzir ainda mais a frequência de voos no inverno e deixar mais aeronaves em solo do que o habitual, uma vez que os elevados custos do combustível tornam os serviços menos frequentes antieconômicos. Strickland, que dirige a JLS Consulting, fez a previsão durante um webinar do World Aviation Festival agora no final de julho, no qual discutiu como a indústria da aviação pode responder à atual crise do combustível de aviação. “Por mais que as companhias aéreas reduzam os preços para estimular a demanda, elas ainda não conseguirão cobrir o custo do aumento do preço do combustível. E acho que, como resultado, veremos mais aviões parados no solo”, disse ele. As companhias aéreas normalmente operam menos voos durante o inverno, quando a menor demanda pode deixá-las com capacidade ociosa. Elas também costumam usar tarifas mais baixas para estimular as reservas. No entanto, Strickland acredita que os altos custos do combustível tornarão mais difícil para as companhias aéreas justificarem a operação de serviços marginais este ano. “Acho que o que veremos neste inverno é um nível mais alto de cancelamentos”, disse ele. “Não acredito que as companhias aéreas vão reduzir os preços indiscriminadamente para estimular a demanda.”

MERCADOS & CLASSES

Ele também destacou que alguns mercados e classes de cabine já registraram aumentos de preços maiores do que outros, enquanto a exposição de cada companhia aérea varia de acordo com suas estratégias de hedge e capacidade de repassar os custos adicionais aos passageiros. O alerta surge num momento em que a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) prevê que os custos com combustível aumentarão em quase 40%, para 350 mil milhões de dólares em 2026, sendo que o combustível representará 31,4% das despesas operacionais totais. Apesar da pressão, Strickland afirmou que as companhias aéreas conseguiram, até o momento, evitar que a crise se transformasse na ruptura imediata do fornecimento que alguns temiam inicialmente, com muitas delas encontrando fontes alternativas de combustível ou utilizando estratégias de hedge para se protegerem da magnitude total dos aumentos de preços a curto prazo. Segundo Strickland, o número de voos cancelados tem sido relativamente modesto até o momento. No entanto, ele prevê que essas decisões se tornarão mais difíceis à medida que o setor se afasta do período de pico do verão. As companhias aéreas avaliam continuamente os níveis de reservas e o desempenho de cada rota para determinar suas estratégias.

BC – A CIDADE QUE ACONTECE

Sem dúvidas, BC já está no futuro. A nova marca turística de Balneário Camboriú foi lançada nesta última quinta-feira (30) pela Prefeitura, marcando o encerramento das ações alusivas aos 62 anos do município. Com a mensagem “A cidade que acontece”, a proposta representa a dinâmica de Balneário Camboriú, visando mais presença, personalidade e capacidade de reconhecimento, refletindo a diversidade, a transformação e o estilo de vida da cidade. “Balneário Camboriú é uma cidade que não para, o tempo todo se renovando e com novos atrativos, e essa renovação está agora presente na nossa nova marca turística. Somos a cidade que acontece e é isso que queremos transmitir quando levamos o nome do município na propagação nacional e internacional, fortalecendo nosso turismo e toda a cadeia produtiva que se mantém a partir dessa matriz econômica”, ressaltou a prefeita Juliana Pavan. A entrega da marca turística de Balneário Camboriú é resultado de um processo desenvolvido ao longo dos últimos meses, que incluiu um levantamento detalhado das características mais relevantes do município. A nova comunicação visual buscou trazer à imagem uma identidade visual mais viva, fluida e conectada à experiência real da cidade, aproximando a marca do turismo, do verão e da vida urbana ativa de Balneário Camboriú.

Para o secretário de Turismo, Evandro Neiva, a nova marca posiciona a cidade em um mercado que está cada vez mais competitivo e exige novas estratégias de divulgação. “O turista está sendo disputado por inúmeros destinos nacionais e internacionais e nós temos que ter uma comunicação mais eficiente. Ter uma marca de destino promocional é um desafio muito grande, porém, quando alcançado, destaca o destino entre os demais. Foi mais de um ano de trabalho em cima da nova marca, buscando algo que dialogue com tudo que existe em Balneário Camboriú e tudo que Balneário Camboriú é hoje. Nosso objetivo é que essa marca seja apropriada por todo o trade turístico, tornando-se uma ferramenta de promoção coletiva, dinâmica e versátil, ampliando sua exposição e fortalecendo, de forma integrada, a imagem de Balneário Camboriú em cada nova oportunidade”, destacou. Apresentada ao trade turístico, empresários, autoridades e imprensa, a nova marca está adequada em múltiplas plataformas que pode ser identificada e usada por vários segmentos. O novo vídeo institucional do município – com lettings traduzidos para os idiomas português, inglês e espanhol – também foi exibido aos presentes, transmitindo a dinâmica e a essência da cidade.

BC CONVENTION

Falando nisso, o Balneário Camboriú Convention & Visitors Bureau conquistou um importante reconhecimento nacional na última terça-feira (28), durante a programação do 10º UneCongresso, promovido pela União Nacional de Convention & Visitors Bureaux e Entidades de Destinos (Unedestinos), em Florianópolis. A entidade ficou em 1º lugar no 5º Prêmio Unedestinos, na categoria Relacionamento com Compradores de Eventos, com o case do Projeto MICE 2025, ao concorrer com iniciativas apresentadas pelos Convention & Visitors Bureaux de Natal e Rio de Janeiro. O prêmio reconhece as melhores práticas desenvolvidas pelos destinos brasileiros na promoção e fortalecimento do turismo, valorizando projetos inovadores e de impacto para o setor. O case apresentado pelo BC Convention destacou a estratégia adotada pelo Projeto MICE (Meetings, Incentives, Conferences and Exhibitions/Events), iniciativa lançada em 2025 para ampliar a captação de eventos e consolidar o município e a região como um dos principais destinos brasileiros para o turismo de negócios. O presidente do Balneário Camboriú Convention & Visitors Bureau, Robinho Soares, aponta que receber o primeiro lugar no Prêmio Unedestinos com o Projeto MICE é motivo de enorme orgulho para o BC Convention e para toda a região.

“Ter o nosso trabalho reconhecido durante o UneCongresso, ao lado dos maiores especialistas em gestão e promoção de destinos do país, reafirma o nosso compromisso permanente com a consolidação de Balneário Camboriú e Camboriú como destinos turísticos durante o ano inteiro. O turismo de eventos é um motor transformador: reduz a sazonalidade, gera empregos, atrai investimentos e fortalece toda a cadeia produtiva da cidade. Esse prêmio não representa apenas uma ideia bem executada, mas o esforço conjunto da nossa equipe, o apoio dos associados e a força da parceria entre a iniciativa privada e o poder público. É um reconhecimento que dividimos com todos os profissionais que constroem o BC Convention diariamente e que nos motiva a seguir trabalhando com inovação e dedicação para posicionar Balneário Camboriú e região entre os principais destinos de eventos do Brasil”, diz. Já a diretora executiva do BC Convention, Ludiane Goulart, comemora a conquista e destaca que o reconhecimento é resultado do trabalho coletivo desenvolvido pela entidade em parceria com seus associados. “Receber esse prêmio nacional é motivo de muito orgulho para todos nós. Concorrer com destinos consolidados, como Natal e Rio de Janeiro, e ter o nosso projeto reconhecido como o melhor do Brasil mostra que Balneário Camboriú e região estão no caminho certo. Essa conquista pertence à nossa equipe, diretoria, associados e parceiros, que acreditam na força da união para desenvolver o turismo de eventos e fortalecer cada vez mais o nosso destino. O segmento MICE merece esse investimento e dedicação, por isso realizamos um trabalho que é feito com planejamento, relacionamento e inovação, e assim conseguimos gerar resultados concretos de fato”, explica.
SETOR HOTELEIRO – TECNOLOGIA & INOVAÇÃO

Um dos temas principais do Future Hospitality Summit (FHS) é como a tecnologia e a inovação estão remodelando os investimentos, as operações e as expectativas dos hóspedes no setor hoteleiro. Em toda a indústria, os líderes hoteleiros estão buscando o equilíbrio entre os rápidos avanços em Inteligência Artificial (IA), automação e análise de dados e a evolução do comportamento dos viajantes, a crescente complexidade operacional e a pressão cada vez maior para alcançar um crescimento sustentável. A adoção da IA na hotelaria deve acelerar significativamente até 2026, principalmente na gestão de receitas, na personalização da experiência do hóspede e na eficiência operacional. Antes do FHS World, que acontecerá em Dubai em setembro, perguntou-se a Muin Serhan, CEO da Amsa Hospitality; Vincent Miccolis, Diretor Geral para o Oriente Médio, África e Turquia da The Ascott Limited; Tom Stevens, Diretor de Operações Hoteleiras do The First Group Hospitality; José Maria Dalmau, Vice-Presidente de Desenvolvimento de Negócios da Meliá Hotels International; Victor Abou-Ghanem, CEO da Story Hospitality; e Wael Al Sharif, Gerente Geral de Área da The Torch Hospitality, onde eles estão priorizando os investimentos em tecnologia e inovação atualmente.

Os líderes compartilharam um foco comum de investimento: tecnologias que aprimoram a tomada de decisões, a eficiência operacional e a satisfação dos hóspedes, além de sustentar o valor dos ativos a longo prazo. A sustentabilidade também está deixando de ser uma consideração da marca para se tornar uma prioridade central de investimento, impulsionada tanto pela regulamentação quanto pelas mudanças nas expectativas dos consumidores. “Priorizamos investimentos que gerem um ROI mensurável. A otimização de receita baseada em IA, a análise de vendas e o engajamento inteligente dos hóspedes aprimoram a precisão e a eficiência comercial. Em mercados de alto crescimento como a Arábia Saudita, a alocação disciplinada de capital e equipes capacitadas são igualmente cruciais”, afirmou Tom Stevens. Juntamente com as ferramentas de desempenho comercial, a resiliência e a confiança estão se tornando temas de investimento igualmente importantes. Vincent Miccolis comentou: “Também damos grande ênfase à segurança cibernética e à proteção de dados, dada a crescente importância de proteger os dados dos hóspedes e manter a confiança. A IA e as tecnologias voltadas para os hóspedes continuam sendo importantes, mas são sempre aplicadas com um foco claro na melhoria do desempenho, e não na tecnologia por si só”

Ao mesmo tempo, Victor Abou-Ghanem ressaltou que o investimento em tecnologia também deve fortalecer o relacionamento direto com os hóspedes. “Continuamos a fortalecer a distribuição direta: melhores websites, CRM e programas de fidelização também serão essenciais para nós em 2026. Num mundo de agentes de IA e altas comissões das OTAs, o relacionamento direto com os nossos hóspedes tornou-se ainda mais estratégico.” Onde a IA gera valor mensurável hoje? Se houve um consenso claro em todas as conversas, foi que os líderes já estão vendo impactos mensuráveis da IA na otimização de receita, eficiência de distribuição, planejamento operacional e engajamento de hóspedes. José Maria Dalmau resumiu como muitos grupos hoteleiros estão abordando a adoção da IA: “Os sistemas de gestão de receita permitem modelos de precificação mais inteligentes, melhor previsão de demanda e precisão na segmentação. A eficiência de distribuição melhora o mix de canais e reduz o custo de aquisição. A IA também apoia a otimização operacional por meio de manutenção preditiva e planejamento da força de trabalho. Mas, principalmente, a IA apoia a personalização, o que aumenta a satisfação do hóspede e a fidelização. Para nós, o valor mensurável não está apenas na melhoria da margem, mas no valor vitalício do hóspede.”

DESEMPENHO DOS INVESTIMENTOS

A conversa também abordou o desempenho dos investimentos e se a tecnologia está influenciando materialmente as avaliações de hotéis e a percepção de risco. Do ponto de vista do investidor, os hotéis com tecnologia integrada estão obtendo avaliações mais altas ou prêmios de risco mais baixos? “Ambos. Os imóveis com tecnologia integrada apresentam prêmios de avaliação devido à eficiência operacional superior e aos altos índices de satisfação dos hóspedes. Simultaneamente, eles apresentam prêmios de risco menores devido à adaptabilidade, à tomada de decisões baseada em dados e à menor dependência de mão de obra. Os investidores consideram cada vez mais a infraestrutura tecnológica como um determinante fundamental da qualidade do ativo, semelhante à localização ou à afiliação à marca. Os imóveis sem tecnologia integrada enfrentam descontos de avaliação crescentes”, afirmou Wael Al Sharif. “Hotéis com tecnologia integrada estão alcançando avaliações cada vez mais altas porque os investidores os consideram mais bem equipados para gerenciar a volatilidade e proteger as margens. Esses ativos geralmente atraem maior interesse dos investidores e, em muitos casos, se beneficiam de condições de financiamento mais favoráveis”, acrescentou Muin Serhan.

DISCIPLINA

Outros concordaram, embora tenham enfatizado que a tecnologia por si só não é suficiente para garantir retornos mais robustos. “A chave não é a presença da tecnologia, mas sim a eficácia com que ela é aplicada para impulsionar os retornos e o valor do ativo a longo prazo”, observou Vincent Miccolis. Ao mesmo tempo, Victor Abou-Ghanem alertou que o investimento em tecnologia deve permanecer comercialmente disciplinado, em vez de ser guiado por tendências: “Por outro lado, também existe o risco de execução: grandes investimentos em tecnologia da moda que os hóspedes não valorizam, ou sistemas que se tornam obsoletos rapidamente. Portanto, os investidores buscam disciplina. Os hotéis que alcançarão os melhores preços ao longo do tempo, na minha opinião, são aqueles que combinam boas localizações e marcas com tecnologia inteligente e direcionada que melhora claramente o fluxo de caixa e a resiliência do ativo.”

SER HUMANO

O que definirá um negócio de hotelaria verdadeiramente preparado para o futuro até 2030? As respostas de todos os líderes se concentraram consistentemente em três pilares interligados: tecnologia avançada, serviço centrado no ser humano e operações sustentáveis. Vários líderes também enfatizaram que o sucesso depende não apenas da inovação, mas também da manutenção da disciplina operacional e da construção de organizações adaptáveis, capazes de evoluir de acordo com as expectativas dos hóspedes e as demandas do mercado. “Um negócio de hotelaria preparado para o futuro combinará precisão impulsionada pela tecnologia, talentos locais capacitados e alocação de capital disciplinada para oferecer valor consistente aos hóspedes e retornos sustentáveis aos proprietários”, disse Tom Stevens. Victor Abou-Ghanem concluiu que: “Um negócio de hotelaria verdadeiramente preparado para o futuro em 2030 será aquele que combina uma forte cultura de serviço humano com dados, IA e operações sustentáveis, para que cada estadia seja personalizada, cada decisão seja informada e o impacto nas pessoas e no planeta seja genuinamente positivo”. Em conjunto, as conversas sugerem que a próxima vantagem competitiva da hotelaria não virá apenas da tecnologia, mas de quão eficazmente os operadores combinam sistemas inteligentes com experiência humana, disciplina operacional, confiança e adaptabilidade.
